segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Medos



Começou a maratona e nunca estive tão ocupada e ansiosa como agora. Faz tempo que eu queria expor alguns de meus temores. Eles parecem clichês patéticos, mas são bem cotidianos... Alguns medos são quase antagônicos entre si, só quem sente sabe como são consistentes.

Tenho medo do futuro; das escolhas, erros e perdas; Medo da multidão e da solidão; da liberdade e da alienação; Medo da natureza e da humanidade; Medo de mentiras, incoerências, extremismos, preconceitos, excessos, mágoas, violência, guerras...

Um fato inegável é o medo da morte, seja pelo motivo que for. Sendo muito otimista, um bom final seria em uma velhice saudável e lúcida, com satisfação e orgulho do passado, sem dor, junto do meu amor, dormindo. Morte idealizada.

Escolher, errar, perder, morrer... Tudo isso faz parte da vida e acho que dizer que tenho medo dela é um excelente resumo.

Medo de ter medo deveria ser o maior de todos os receios porque todos eles podem sim representar ameaças reais e pensar neles promovem a autopreservação. O grande problema consiste quando deixamos de viver plenamente por viver em pânico. De vez em quando, penso como isso pode ser provável pra mim se eu não me vigiar. Só que ainda não é meu medo dos medos.

Confesso que o mais angustiante pavor é a efemeridade do tempo. Desde que me conheço por gente isso me assusta.

Ponteiros de relógios, calendários e livros de História não são nada perante minha sensação... As coisas, as pessoas passam rápido demais. Cada segundo que passa, eu também estou passando.





P.S.: Logo depois de pensar nesse post, por coincidência, tive uma aula sobre um poema de Drummond que eu já havia lido e nem lembrava. Não tinha tanto significado para mim como tem agora. Se servir como dica, releia livros e reassista filmes, pois conforme amadurecemos, adquirimos uma nova leitura de mundo e descobrimos elementos impressionantes. Corra antes que seja tarde.

 
 

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

                                                                                  (Carlos Drummond de Andrade)