Mais convencida ainda daquela velha conclusão de que
quanto maior a consciência, maior a depressão. Às vezes me pergunto se seria
melhor viver na apatia, futilmente... Se não seria mais saudável assistir à
novela, escolher a cor do esmalte e não se importar com nada além de mim e dos
sapatos em liquidação.
Mas não. É um caminho sem volta. É um caminho solitário,
pois parece que ninguém se importa. Ninguém pensa, ninguém sente, ninguém sabe.
Hipérbole a parte, a verdade é que há uma maioria vazia, uma minoria incoerente
e hipócrita e outra limitada e superficial. Faço parte do último grupo e se ainda não fui
explícita, a aflição reside no fato de que estou, aos poucos, enxergando o
mundo real. Em doses homeopáticas, sinto
as dores do mundo.
Há tempos eu queria escrever sobre isso, mas há tempos
não há tempo. A memória também é sacana e não é nada fácil falar de algo que
nem eu mesma compreendo bem. Sei que dói. Humana, por vezes mundana e
individualista, não nego meu foco na busca da realização pessoal, mas o que é
ser feliz? E como sê-lo se pensamentos de consciência de mundo e de impotência
em transformá-lo assaltam minha mente a todo tempo? Mesmo se eu tivesse o
poder, o que é certo?
Huxley diz, em Admirável Mundo Novo: “Sem dúvida, a
felicidade real sempre parece bastante sórdida em comparação com as
supercompensações do sofrimento. E por certo, a estabilidade não é, nem de
longe, tão espetacular como a instabilidade. E o fato de estar satisfeito nada
tem da fascinação de uma boa luta contra a desgraça, nada do pitoresco de um
combate contra a tentação, ou de uma derrota fatal sob os golpes da paixão ou
da dúvida. A felicidade nunca é grandiosa.”.
