Começou a maratona e nunca estive tão ocupada e ansiosa
como agora. Faz tempo que eu queria expor alguns de meus temores. Eles parecem
clichês patéticos, mas são bem cotidianos... Alguns medos são quase antagônicos
entre si, só quem sente sabe como são consistentes.
Tenho medo do futuro; das escolhas, erros e perdas; Medo
da multidão e da solidão; da liberdade e da alienação; Medo da natureza e da
humanidade; Medo de mentiras, incoerências, extremismos, preconceitos,
excessos, mágoas, violência, guerras...
Um fato inegável é o medo da morte, seja pelo motivo que
for. Sendo muito otimista, um bom final seria em uma velhice saudável e lúcida,
com satisfação e orgulho do passado, sem dor, junto do meu amor, dormindo. Morte
idealizada.
Escolher, errar, perder, morrer... Tudo isso faz parte da
vida e acho que dizer que tenho medo dela é um excelente resumo.
Medo de ter medo deveria ser o maior de todos os receios
porque todos eles podem sim representar ameaças reais e pensar neles promovem a
autopreservação. O grande problema consiste quando deixamos de viver plenamente
por viver em pânico. De vez em quando, penso como isso pode ser provável pra mim
se eu não me vigiar. Só que ainda não é meu medo dos medos.
Confesso que o mais angustiante pavor é a efemeridade do
tempo. Desde que me conheço por gente isso me assusta.
Ponteiros de relógios, calendários e livros de História
não são nada perante minha sensação... As coisas, as pessoas passam rápido
demais. Cada segundo que passa, eu também estou passando.
P.S.: Logo depois de pensar nesse post, por coincidência,
tive uma aula sobre um poema de Drummond que eu já havia lido e nem lembrava. Não
tinha tanto significado para mim como tem agora. Se servir como dica, releia
livros e reassista filmes, pois conforme amadurecemos, adquirimos uma nova
leitura de mundo e descobrimos elementos impressionantes. Corra antes que seja tarde.
Congresso Internacional do Medo
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
(Carlos Drummond de Andrade)