sexta-feira, 8 de março de 2013

"O tempo é rei e a vida é uma lição/ E um dia a gente a gente cresce/ E conhece nossa essência e ganha experiência/E aprende o que é raiz, então cria consciência"


Após um considerável tempo sem escrever, volto à minha página de desabafos só para justificar minha ausência para não sei quem.

Neste exato momento estou passando por uma fase de adaptação. Só que está mais difícil do que imaginei... É tudo muito diferente do que eu estava acostumada na minha zona de conforto.

Quer dizer... Tô confortável... Estou realizando um sonho e várias coisas fenomenais estão acontecendo comigo, mas eu ainda (e já) estou pirando.

Não sei definir ao certo qual é a sensação. Está tudo tão certo e encaminhado... No entanto, há aqueles pequenos e quase irrelevantes detalhes... Só um tanto frustrantes para quem tinha imensas expectativas. Obviamente que não fui uma vítima das circunstâncias. Eu escolhi que fosse dessa maneira porque do contrário de nada me serviria.

Não acredito em plena felicidade, mas em momentos felizes. E é o que estou tendo. Muitos deles (amém!). Ainda assim, continuo com minhas crises existenciais e minha consciência distópica de mundo... Fazer o quê?

No mais, estou orgulhosa de quem sou, do que faço, de quem estou me tornando, aonde estou, aonde eu vou chegar... Orgulho dos meus sonhos, das minhas ideologias, dos meus contatos, dos meus gostos, afetos e amores.

sábado, 29 de dezembro de 2012

“Now my life is sweet like cinnamon/ Like a fuckin’ dream I’m livin’ in...”

Fim de ano e aquela maldita depressão. Aquela sensação de não ter realizado nada, de não ter aproveitado direito. Todo ano é sempre igual. Horrível, terrível, odeio...
Já estava resignada a repetir algo que eu já conhecia. Consciente de que fora muito bem, porém não o bastante. E, injustamente, os detalhes alegres não tinham importância perante minha sensação de fracasso contínuo. É... Exagerada até não poder mais... Aquele gosto doentio por drama.

Mas então, no 27 de dezembro aconteceu algo que fez com que eu mudasse de tom : vou mudar minha descrição do blog de “vestibulanda de Medicina nervosa” para “estudante de Medicina”.  Isso foi fruto de um sonho antigo e de um ano que me consumiu. Eu finalmente alcancei esse importante objetivo dentre outros vários. Esse, em especial, abrirá muitas portas e será um dos meios para eu realizar meus propósitos.
2012 foi o ano mais difícil em diversos aspectos e foi o que eu mais me senti satisfeita ao terminar. Toda aquela labuta valeu a pena no fim das contas.
Foi um ano intenso, de grandes acontecimentos e valiosas lições. Sempre conhecendo pessoas e admirando posturas. Para mim é uma honra ser e estar.

Agora me encontro no quarto, sozinha, ouvindo música no último volume e um turbilhão de pensamentos e emoções. Escreveria um livro facilmente, mas vou parando por aqui. É hora de fazer a faxina anual. Hora de me livrar de tudo o que não presta mais e abrir espaço para o novo. A expectativa em relação ao novo é enorme e mal posso esperar pelas delícias que hão de vir...

[ eu também estou pronta!]

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Medos



Começou a maratona e nunca estive tão ocupada e ansiosa como agora. Faz tempo que eu queria expor alguns de meus temores. Eles parecem clichês patéticos, mas são bem cotidianos... Alguns medos são quase antagônicos entre si, só quem sente sabe como são consistentes.

Tenho medo do futuro; das escolhas, erros e perdas; Medo da multidão e da solidão; da liberdade e da alienação; Medo da natureza e da humanidade; Medo de mentiras, incoerências, extremismos, preconceitos, excessos, mágoas, violência, guerras...

Um fato inegável é o medo da morte, seja pelo motivo que for. Sendo muito otimista, um bom final seria em uma velhice saudável e lúcida, com satisfação e orgulho do passado, sem dor, junto do meu amor, dormindo. Morte idealizada.

Escolher, errar, perder, morrer... Tudo isso faz parte da vida e acho que dizer que tenho medo dela é um excelente resumo.

Medo de ter medo deveria ser o maior de todos os receios porque todos eles podem sim representar ameaças reais e pensar neles promovem a autopreservação. O grande problema consiste quando deixamos de viver plenamente por viver em pânico. De vez em quando, penso como isso pode ser provável pra mim se eu não me vigiar. Só que ainda não é meu medo dos medos.

Confesso que o mais angustiante pavor é a efemeridade do tempo. Desde que me conheço por gente isso me assusta.

Ponteiros de relógios, calendários e livros de História não são nada perante minha sensação... As coisas, as pessoas passam rápido demais. Cada segundo que passa, eu também estou passando.





P.S.: Logo depois de pensar nesse post, por coincidência, tive uma aula sobre um poema de Drummond que eu já havia lido e nem lembrava. Não tinha tanto significado para mim como tem agora. Se servir como dica, releia livros e reassista filmes, pois conforme amadurecemos, adquirimos uma nova leitura de mundo e descobrimos elementos impressionantes. Corra antes que seja tarde.

 
 

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

                                                                                  (Carlos Drummond de Andrade)